domingo, 13 de dezembro de 2009

Ali - Postagem Temática

Naquele dia eu estava cinza. Retornar ao local onde tantas outras histórias haviam começado e permaneciam mal acabadas me deixou um pouco apreensivo.
Respirei fundo e fui por obrigação.
Ninguém havia exigido a minha presença, apenas tinham me convidado, mas eu exigia a festa. Precisava de uma festa. Quem sabe, só assim eu poderia sentir alguma coisa.
Não era tédio, não era tristeza, não estava emburrado e muito menos contrariado. Eu estava cinza!
Como sempre, procurei um lugar sossegado para sentar. Apreciar a festa me fazia senti-la. Eu precisava sentir alguma coisa.
Cerveja, cigarro, papo furado, cerveja, papo mole, cigarros. Uma porção de batata frita. Ainda não entendi porque pediram batatas. Não me sentia um vencedor!
Voltei para o papo furado, este sim me levava para algum lugar, mesmo não me ajudado a sentir nada.
Não fazia mais sentido tomar cerveja ou tomar cerveja com conversa furada. Precisava de algo diferente. Conhecer pessoas novas, talvez.
Havia pessoas diferentes na festa, mas nenhuma se mostrou interessante, naquele momento. Eu havia te visto, mas deixei para lá. Éramos de mundos diferentes. Não nos cruzaríamos depois daquela festa. Tudo era coincidência.
Acreditei que quis ficar confortável na minha roda de conversas furadas. Fiquei, mas desta vez tinha algo interessante, algo novo, uma pessoa nova na roda. Está eu não conhecia. O papo era legal, furado, mas legal.
Papo vai, papo vem. Pernas cruzadas, mãos ajudando a articular. Sentia algo!
A festa estava começando a ficar boa. Talvez fosse a cerveja que deixava tudo meio amarelo e marrom.
Convidaram para dançar. Topei!
As luzes da festa deixaram tudo mais colorido. O fundo preto, o interior não era mais amarelo e marrom, mas eu continuava cinza, não sabia disto, mas sentia.
As articulações da festa nos mostravam que aquela noite tinha um final misterioso.
Eu dançava, com o meu jeito desengonçado e você não se mexia, só conversava com as pessoas do seu lado. Até hoje não entendi porque você não dançou!
Acabou a música. Uns pararam de dançar e voltaram para o papo furado, inclusive quem me tirou para dançar.
Eu estava cinza mesmo, mas as notas, batidas, sinfonias, cifras me davam a sensação de tudo podia.
Fico na pista. Giro na pista, danço. Giro!
Com o meu jeito desengonçado de dançar, mas que chama muita atenção por ser único. Faz com que eu esbarre em você ou foi você quem esbarrou em mim?
A batida foi tão forte que tudo desencaixou do lugar confortável.
Desorientado, só digo sim!
Foi que você fez também, da sua maneira, mas fez.
Com uma cerveja na mão, com um cigarro em outra, com um sorriso na boca, com a cabeça girando e com os pés imóveis, fiquei ali.
Não saiba nada de ti, mas sabia que aquele papinho não era furado.
Tudo se tornou mais interessante, inclusive o mistério que a noite revelava.
Sem se dar conta que aquilo tudo era apenas os quinze minutos do primeiro tempo.
Hoje deduzo que teremos prorrogação, mas naquele dia a única coisa que tive certeza, enquanto voltava para casa, foi que nos veríamos em algum altar vestidos de preto e branco.

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Sugestão de tema: Festas de fim de ano

2 comentários:

Deison Frederico disse...

nossa muito bom Vini, identificação, não bobagem... como falamos ontem,,, as escolhas q me pegam, afinal ainda quero subir nesse tal de altar...hahhahaah

abração

qualquer menina disse...

hááááá!!
o desfecho em preto e branco!! que ótimo!
uma releitura do amor à primeira vista!
adoreeeei!
e gostei da cerveja deixando as coisas amarelas e marrons tb.. pra mim tb acontece assim.
mto bom texto vini..
tu é bom em ficção. mas ainda prefiro teu humor ácido da vida real nas tardes de locadora. são meus posts preferidos! rs

muahh!